MESSIAS ELÉTRICO

REDES / CONTATOS

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Em mais um lançamento pela Baratos Afins, a banda Messias Elétrico chega ao segundo disco, ganha o reforço de Lillian Lessa nos vocais e incrementa a sonoridade hardprog da estreia com foco em canções elaboradas e arranjos sofisticados

 

“Quando o sol nascer / Irá modificar / O nosso viver / O nosso pensar”.
(Tempo Bom)

 

Da abertura com o groove rock de Tempo Bom ao desfecho com as tinturas pop-psicodélicas de O Fruto, o novo álbum do Messias Elétrico convida o ouvinte para uma jornada pelos complexos caminhos da condição humana em seu constante diálogo consigo, com o outro e a com a existência.

 

Mas nem pense em papo-cabeça ou “viajandão”. O lance aqui é rock and roll. Quando o então quarteto lançou o homônimo disco de estreia em 2011, a crítica especializada levantou a orelha e chancelou com louvores a atualização do encontro entre o rock setentista e o hardprogressivo mediado pela banda nascida em Alagoas.

 

Agora, quatro anos depois, a Baratos Afins – e Luiz Calanca – apostou novamente e o Messias Elétrico retorna com novas mensagens e nova roupagem.

A pegada forte, a pulsação vibrante e os arranjos intrincados continuam, contudo, soam revigorados. Com a entrada de Lillian Lessa (Necro) nos vocais, as músicas apontaram para um novo recheio de sonoridades que expressam o amadurecimento nato de um grupo musicalmente coeso, completado por Pedro Ivo Salvador (guitarra e voz), Leonardo Luiz (teclado e voz), Alessandro Mendonça (baixo) e Fernando Coelho (bateria).

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 “Por que da terra eu quero a verdade / Eu sei que ela não vem com a idade”
(As Sementes)

 

Messias Elétrico II traz sete músicas produzidas pelo grupo e mixadas pelo expert Dácio Messias, no estúdio Concha Acústica, em Maceió, capital de Alagoas.

Uma pedra atrás da outra. Depois do balanço – outra assinatura indefectível da banda – de Tempo Bom, a multifacetada WR 107 passeia pela história do rock numa costura firme, precisa e elegante entre composição, arranjo e performance.

Dramática e intempestiva, A Peste recorre às vestes do hard 70s para abordar uma tragédia iminente. Piano e porrada. Um tanto diferente de As Sementes, que alterna diferentes atmosferas musicais ao longo dos seus quase sete minutos.

 

“Se a cura a mim chegar / Adiarei o adeus”
(A Peste)

 

Em Nada é um Sonho, assinada e cantada por Leonardo Luiz, a participação de Ana Galganni (Divina Supernova) numa execução emocionante de flauta transversal foi um presente carinhoso para a música – e para o ouvinte. A balada bluesy pode soar como uma ousadia diante do vigor musical do Messias Elétrico. Bobagem. Com uma entonação peculiar, ela soa como uma declaração de amor explicitamente incisiva, mas genuinamente honesta.

 

Se o andamento balançado de Minerva é acompanhado pelas guitarras inventivas de Pedro Ivo, a faixa segue ladeira acima puxada por linhas vocais alucinantes e alucinógenas. Coisa séria. Coisa fina.

 

O mesmo pode ser dito da arte gráfica da capa e contracapa elaborada pelo artista visual Jonathan Melo. A ilustração traz uma profusão de elementos que bem simbolizam a paisagem conceitual do álbum – um cenário em que desolação e renascimento acontecem simultaneamente e a todo instante. 

 

O encerramento com O Fruto é o prelúdio de um fim primoroso. Uma canção superior, meticulosamente arranjada a partir de referências imbatíveis (Beatles fase White Album? Pink Floyd fase Meddle?) para extrair o melhor da composição.

É incontestável: em seu retorno, o Messias Elétrico chegou mais forte, com melhores músicas e com um disco que merece mais do que uma nota de rodapé na história do rock brasileiro.                                                                                        

“Seu fruto é desejado/ Quando vier / Vai parecer com você”
(O Fruto)

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MESSIAS ELÉTRICO
Lillian Lessa: voz
Pedro Ivo Salvador: guitarra e voz
Leonardo Luiz: teclados e voz
Alessandro Mendonça: baixo
Fernando Coelho: bateria

 

Desejo, Loucura e Barulho - Messias Elétrico
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Messias Elétrico - Messias Eletrico
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Nada é um Sonho - Messias Elétrico
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